Parafraseando minha
amiga Sam, sinto saudade da época que meu mundo era apenas The Cranberries e
eu. Vivemos em mundo, principalmente o virtual onde as pessoas querem apenas
mostrar o que têm, quantos CDs, DVDs, ingressos dos shows já foram, quantas
fotos tiraram com as bandas. O que me chama mais atenção é a intenção de quem
possuiu algo que parece mais um arsenal de guerra para lutar pela melhor
posição no raking de melhor fã em vez de compartilha o amor e admiração pela
banda. Hoje quase entro em mais uma virtual e inútil briga que acabou
resultando em um insulto sobre “meu inglês” mal digitado. Aí pergunto o
seguinte: Minha língua é a portuguesa, o grupo é espanhol e as pessoas escrevem
em inglês? Preferi deletar e evitei maiores. Por isso que digo que a Dolores
pensava mesmo em seus fãs quando disse “People are stranger, people in danger”.
Quando vou a um show de quem sou fã, o último por sinal foi da Alanis
Morissette, o que me menos me importa é o que terei para mostrar para as outras
pessoas. Ao ver o artista no palco cantando aquelas canções que mudaram minha
vida e encheram de esperança minha turbulenta adolescência não consigo pensar
em mais nada, não vejo mais nada ao meu redor, aquele é meu momento e ninguém
pode me roubar. Todos vocês deveriam se sentir assim, saber realmente o que é
amar algo. Mas na realidade são cheio de obsessões, são doentes e perdem o
tempo mostrando o que tem. Prefiro ser tachada de louca e ter poucos amigos a
ser como vocês cheios de carimbos no passaporte vivendo na insensatez de não
frustrar as expectativas que os outros tem em relação aos passos que vocês dão
diariamente. Essas pessoas não conseguem de forma algum absorver o mínimo de
sentimento em forma de composições que poderiam mudar um pouco as mentes vazias
de vocês. Eu ainda lembro da época em que tinha apenas um rádio quebrado onde
esperava horas até escutar uma ou duas músicas da minha banda favorita. Hoje é
tudo tão fácil que se tornou banal. O que The Cranberries significa para mim,
vocês jamais irão entender e eu não dou a mínima em relação a isso. Ouço, canto
e sinto porque amo, porque estou afim, porque quero e posso fazer. É uma pena
saber quão egoísta e invejosa a sociedade é. Nós fazemo o mundo onde vivemos,
somente as pessoas podem modificá-lo, mas ninguém mudar nada, apenas mostrar o
que o dinheiro pode comprar. Lembrando que um dia a terra há de comer,
inclusive você.
Nenhum comentário:
Postar um comentário