Tia Help era muito parecida com minha mãe. Lembro de muitas pessoas confundirem as duas. Lembro de como elas riam juntas e como levavam alegria aos que estavam a sua volta. A gente almoçava e ela nos fazia dançar Beatles embaixo dos pés de manga em seu jardim dizendo que fazia bem à digestão e emagrecia. Jamais tínhamos coragem de desobedecer. Impossível também era discordar dela. Louco o que tentava fazer isso. Jamais imaginei começar o ano assim. Rodeada de tanta dor. Noite passada eu sonhei que minha orquídea estava sem uma flor e sonhei também que eu tocava e cantava Beatles para Tia Help. Às vezes gostaria de não ter esses sentimentos, essas sensações, essas visões. O que me frustra sempre é essa sensação de impotência, remorso de nunca ter feito o suficiente, de não ter tido tempo suficiente para amar. Eu já aprendi que não vale a pena gastar tanto tempo com dor, mágoa, raiva, rancor. Tenho apenas um vida, que cada ano, parece se encurtar mais. Nos tornamos egoístas porque quando nos doamos demais jamais somos valorizados. O ano mal começou e eu já tive que decidir algumas coisas, ou simplesmente fazer o que estava com vontade. Existem sim pessoas ao meu redor que me amam. Muitas vezes por desejarem me proteger demais, exageram e eu saio correndo. Saio correndo porque farei o que está em minha cabeça e coração, não importa se alguém concorda, nunca precisei de conselhos ou aprovações. As pessoas sempre me dizendo que sou forte. Na realidade, nunca tive outra opção. Ano passado perdi um amigo, mesmo ele ainda estando vivo. Parti alguns corações. Nunca saímos ilesos de situações que nos fazem chorar. Um dia ficam apenas as lembranças e o aprendizado, o amadurecimento. Ano passado fui madrinha de uma turma na escola, pela primeira vez. Ano passado trabalhei em uma escola sem ter arrumado algum confusão. Foi um ano bom, apesar do resultado da eleição. Alguns amigos permanecem. Eu ainda choro, às vezes ainda grito, quebro objetos, falo palavrão. Eu ainda sorrio, tenho uma gargalhada que meus amigos adoram, ainda quero fazer mais tatuagens, ainda uso preto e hoje tenho o cabelo laranja, para admiração de uns e inveja de outros continuo fazendo o que tenho vontade. Continuo tendo fama de louca. Apesar de tudo, de toda dor, ainda me entrego aos sentimentos bons, aos momentos inesperados. Continuo sem fazer planos e mesmo sabendo da perda de hoje não irei amaldiçoar meu ano. Ele está apenas começando. Preciso mais uma vez ser forte para ajudar os que estão sofrendo mais que eu. Assim como minnha mãe, o único erro de Tia Help foi amar demais, sofrer demais, amar demais. Jamais irei esquecer de tudo que aprendi com ela, uma vez ela me enisnou a seduzir um cara que eu estava apaixonada, até isso ela fazia por mim. Ela sempre será minha segunda mãe. Sempre irei te amar...
domingo, 4 de janeiro de 2015
Life is no garden of roses
Tia Help era muito parecida com minha mãe. Lembro de muitas pessoas confundirem as duas. Lembro de como elas riam juntas e como levavam alegria aos que estavam a sua volta. A gente almoçava e ela nos fazia dançar Beatles embaixo dos pés de manga em seu jardim dizendo que fazia bem à digestão e emagrecia. Jamais tínhamos coragem de desobedecer. Impossível também era discordar dela. Louco o que tentava fazer isso. Jamais imaginei começar o ano assim. Rodeada de tanta dor. Noite passada eu sonhei que minha orquídea estava sem uma flor e sonhei também que eu tocava e cantava Beatles para Tia Help. Às vezes gostaria de não ter esses sentimentos, essas sensações, essas visões. O que me frustra sempre é essa sensação de impotência, remorso de nunca ter feito o suficiente, de não ter tido tempo suficiente para amar. Eu já aprendi que não vale a pena gastar tanto tempo com dor, mágoa, raiva, rancor. Tenho apenas um vida, que cada ano, parece se encurtar mais. Nos tornamos egoístas porque quando nos doamos demais jamais somos valorizados. O ano mal começou e eu já tive que decidir algumas coisas, ou simplesmente fazer o que estava com vontade. Existem sim pessoas ao meu redor que me amam. Muitas vezes por desejarem me proteger demais, exageram e eu saio correndo. Saio correndo porque farei o que está em minha cabeça e coração, não importa se alguém concorda, nunca precisei de conselhos ou aprovações. As pessoas sempre me dizendo que sou forte. Na realidade, nunca tive outra opção. Ano passado perdi um amigo, mesmo ele ainda estando vivo. Parti alguns corações. Nunca saímos ilesos de situações que nos fazem chorar. Um dia ficam apenas as lembranças e o aprendizado, o amadurecimento. Ano passado fui madrinha de uma turma na escola, pela primeira vez. Ano passado trabalhei em uma escola sem ter arrumado algum confusão. Foi um ano bom, apesar do resultado da eleição. Alguns amigos permanecem. Eu ainda choro, às vezes ainda grito, quebro objetos, falo palavrão. Eu ainda sorrio, tenho uma gargalhada que meus amigos adoram, ainda quero fazer mais tatuagens, ainda uso preto e hoje tenho o cabelo laranja, para admiração de uns e inveja de outros continuo fazendo o que tenho vontade. Continuo tendo fama de louca. Apesar de tudo, de toda dor, ainda me entrego aos sentimentos bons, aos momentos inesperados. Continuo sem fazer planos e mesmo sabendo da perda de hoje não irei amaldiçoar meu ano. Ele está apenas começando. Preciso mais uma vez ser forte para ajudar os que estão sofrendo mais que eu. Assim como minnha mãe, o único erro de Tia Help foi amar demais, sofrer demais, amar demais. Jamais irei esquecer de tudo que aprendi com ela, uma vez ela me enisnou a seduzir um cara que eu estava apaixonada, até isso ela fazia por mim. Ela sempre será minha segunda mãe. Sempre irei te amar...
Assinar:
Postagens (Atom)