sábado, 15 de setembro de 2012

“People are stranger, people in danger”


Parafraseando minha amiga Sam, sinto saudade da época que meu mundo era apenas The Cranberries e eu. Vivemos em mundo, principalmente o virtual onde as pessoas querem apenas mostrar o que têm, quantos CDs, DVDs, ingressos dos shows já foram, quantas fotos tiraram com as bandas. O que me chama mais atenção é a intenção de quem possuiu algo que parece mais um arsenal de guerra para lutar pela melhor posição no raking de melhor fã em vez de compartilha o amor e admiração pela banda. Hoje quase entro em mais uma virtual e inútil briga que acabou resultando em um insulto sobre “meu inglês” mal digitado. Aí pergunto o seguinte: Minha língua é a portuguesa, o grupo é espanhol e as pessoas escrevem em inglês? Preferi deletar e evitei maiores. Por isso que digo que a Dolores pensava mesmo em seus fãs quando disse “People are stranger, people in danger”. Quando vou a um show de quem sou fã, o último por sinal foi da Alanis Morissette, o que me menos me importa é o que terei para mostrar para as outras pessoas. Ao ver o artista no palco cantando aquelas canções que mudaram minha vida e encheram de esperança minha turbulenta adolescência não consigo pensar em mais nada, não vejo mais nada ao meu redor, aquele é meu momento e ninguém pode me roubar. Todos vocês deveriam se sentir assim, saber realmente o que é amar algo. Mas na realidade são cheio de obsessões, são doentes e perdem o tempo mostrando o que tem. Prefiro ser tachada de louca e ter poucos amigos a ser como vocês cheios de carimbos no passaporte vivendo na insensatez de não frustrar as expectativas que os outros tem em relação aos passos que vocês dão diariamente. Essas pessoas não conseguem de forma algum absorver o mínimo de sentimento em forma de composições que poderiam mudar um pouco as mentes vazias de vocês. Eu ainda lembro da época em que tinha apenas um rádio quebrado onde esperava horas até escutar uma ou duas músicas da minha banda favorita. Hoje é tudo tão fácil que se tornou banal. O que The Cranberries significa para mim, vocês jamais irão entender e eu não dou a mínima em relação a isso. Ouço, canto e sinto porque amo, porque estou afim, porque quero e posso fazer. É uma pena saber quão egoísta e invejosa a sociedade é. Nós fazemo o mundo onde vivemos, somente as pessoas podem modificá-lo, mas ninguém mudar nada, apenas mostrar o que o dinheiro pode comprar. Lembrando que um dia a terra há de comer, inclusive você.