segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A vida é assim


Perder pai ou mãe é algo que realmente transforma todo o nosso ser. Passei a ter atitudes que jamais imaginava ter antes. A Dolores perdeu o pai e também pirou de vez. Creio que tentamos fazer de tudo para esquecer, não isso é impossível, mas pelo menos aprender a conviver com a ausência da pessoa que sem foi, aquela que sempre nos amou incondicionalemente. Eu queria realmente poder falar de outro lance aqui, mas melhor não. Ontem revi um amigo depois de uns 14/15 anos. Não imaginava que teríamos tanto papo. Mas também conversar comigo é fácil, eu falo igual pobre na chuva. Sempre tenho várias histórias para contar. Não que todas sejam engraçadas e divertidas, mas é que depois da enchente ano passado aprendi a viver, principalmente o presente. Para quem não sabe eu quase morri ano passado, Laika quem me salvou, já tinha água entrando pela janela. Mas estou aqui e ela também, não deixando a casa ficar tão vazia. Ela, Creusa e meu irmão. Este ano fui para O Planeta Terra, sozinha andando de trem e bus porque eu não queria pagar mais de 100 reais pelo táxi, passei uma noite no aeroporto outra em um motel, mas vi Garbage isso em outubro, antes disso vi Alanis em setembro, na mesmo mês em que alguém me sacaneou me contando uma lorota achando que eu ainda tinha 15 anos. Enfim muitas vezes nem lembro desse ser mais. Voltar para Itabira me fez perceber que realmente tenho amizades de verdade, amizades de 10, 15 anos que preciso ainda aprender a cuidar melhor delas. Enxugaram minhas lágrimas, eu também enxuguei de alguns amigos. Quebrei tanto a cara, me meti em cada confusão, fui à nutricionista pela primeira vez, uma antiga amiga também. Fiquei ruiva por conta própria porque o cabeleireiro queria mesmo era me deixar loira. Que mania é essa heim? Sempre as loiras, ai que coisa chata. Eu nasci loira e nem curto esse lance. O ano que o Corinthians foi campeão da Libertadores e campeão Mundial, nossa eu vivi para isso, fiz uma tatuagem por isso.  Eu não faço promessas para o ano que entra. Aprendi a não planejar demais, melhor ainda aprendi a não analisar demais. Essa neura de querer entender tudo e todos, muitas vezes é melhor “let it linger”. Daqui uns dias rever a Ju depois de uns 10 anos, a Gisele depois de alguns meses, finalmente conhecer uma das pessoas mais sábias que já conheci, a Sam. Rever e dessa vez de forma descente o Dilim, nunca imaginei que seríamos amigos assim.  Por isso que fico muitas horas on line, essas pessoas distantes fisicamente que me ajudam demais. Saudade demais dos que ficaram pelo Cariri, Nagella, Mariana, Michel, Ivan. Ainda aprendo com eles. Ainda rimos muito juntos. Queria mesmo um dia poder encontrar todos os amigos cranfãs, Carmen, Diego, Andrea, Maria Laura, Damian, Dan, são muitos, muitos mesmo. Ontem foi tão legal, divertido e enfim. Melhor não falar demais. Tenho dificuldade em falar pouco, vocês sabem disso. O ano que eu lecionei em uma escola católica e conheci pessoas maravilhosas. Antigas professoras que se tornaram colegas de trabalho. Sem contar os alunos, os pequenos e os grandões que me ajudaram demais também, no final nos divertimos e aprendemos muito juntos. Conheci a doida da Eliana, quero mesmo vê-la feliz e longe de seu passado. Tem a galera do BH Hostel também Giovanny e Silmara. Então é isso, a ano que senti a maior e jamais passageira dor, o ano que aprendi a viver, ser feliz, o ano que voltei para casa, um lar que eu desconhecia ter. Ainda irei chorar, rir, falar, porque simplesmente me permito viver.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Vida Breve


Não me venham falar de
Amores perdidos
Amores não esquecidos
Amores não vividos
A vida é breve demais para tantas queixas
Lamentos julgados incontestáveis
Por mim são mais que desprezíveis
Corpos se envolvendo em um só
Presente com um pouco de passado
Um futuro não desejado
Somos seres humanos
Insatisfeitos por natureza
A inconformidade reina em alguns
Foi longo, foi breve
Foi agradável
Uma noite
Uma manhã
De volta ao nada que me apetece.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Insanidade


Amo-te mas você nem sabe ainda
Talvez nunca venha saber
Suas palavras completam meus sentimos ditos aos amigos íntimos
Mesmo sem o seu  conhecimento
Já digo por aí o que sinto por ti
Sinto-me louca novamente
Sem controle, fico sem respirar
A falar tolices muitas tolices para você
Você que eu pensava não existir
Será que existe?
Não seria uma ilusão de um ser desesperado, desanimado?
Me perturba demais tanta perguntas
Não posso te questionar
Tento não me oferecer
Não demonstrar tanto desespero, angústia e desejo
Temo te assustar, te afastar, te perder sem ao menos ainda te ter
Não estaria eu me perdendo mais uma vez
Ou estaria me encontrando de vez?
Não sei, odeio não saber das coisas
Odeio você não saber das coisas
Do que me sufoca
De como você não me sufocaria
Se ao menos soubesse
Se ao menos também sentisse
Se ao menos a mim também falasse
O que eu mais desejo ouvir.

Não tenho medo de fantasmas


Alguns fantasmas bateram à minha porta ontem. Dessa vez resolvi abrir, não que eu tenho aberto a porta, foi apenas uma fresta, apesar de acreditarem no oposto. Não teve um motivo específico para que eu abrisse. Não teve sentimento algum, apenas curiosidade, mesmo sabendo quais seriam as palavras lidas diante desta tela. Lembrar de mim pelos meus gostos musicais e futebolísticos é muito fácil, qualquer um faz isso. Pedido de desculpas não é algo que me afeta. Mas talvez tenha sido até uma forma bem breve de me distrair do que realmente me consumia naquele momento melancólico. Mantive conversas vazias apenas para matar o tempo que deveria ser usado para o trabalho mas eu simplesmente não estava afim de executá-lo. Perder para sempre a mãe é algo que de fato comove as pessoas. Não deveria ser assim. Hoje, apesar do sol, é um dia para ouvir The Cure, o dia inteiro. Chato mesmo é não poder ficar na cama o dia inteiro. Tenho que trabalhar. Já era para estar trabalhando. Prefiro escrever e me curar. Escrever e esquecer. Já estou sem agüentar esse papo de Natal e Reveillon, mesmo tendo feito uma árvore e pensado em presentes que poderiam ter sido comprados, ainda não foram. Eu não acredito em nada do que dizem. Ainda me sinto meio traída quando lembro que Florbela Espanca teve maridos, mais de um, sim ela teve. Mesmo assim não terá sido amada? Não sei o que é pior. Nada me faz acreditar na existência desse sentimento tão cobiçado. Talvez eu decida mesmo ficar só, Natal, Reveillon, não emprestarei meu corpo ao prazer de outros. Dias atrás um cara não entendeu o significado e o contexto da palavra loucura. Ele nunca entende. Nem me enjoa mais, não me causa mais nada. Nenhum de vocês consegue me afetar. Não mais. Algo que se perdeu anos atrás, algo que talvez nunca tenha existido. Você não existe, eu não existo. Cansei!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Sentimentos breves


Não costumo voltar à lugares onde morei. Se bem que voltei para Itabira. Sempre vou à Beaga. Talvez não seja bem isso que eu queria dizer. Em dias cinzas e chuvosos fica meio complicado encontrar palavras e conceitos corretos. Pessoas que falam somente de si perdem toda a minha confiança, quando em meio aos seus diálogos riem de meus sentimentos a situação piora bem mais. Não existem problemas maiores uns que os outros. Cada um sente sua dor, uns lidam com mais frieza, outros se afundam profundamente. As pessoas dizem que sou forte, às vezes me pergunto se não estou me tornando cada vez mais fria. Ou talvez simplesmente cansada de desperdiçar minhas palavras e sentimentos por aí. Uma certeza tenho, devo ter nascido na época errada. Isso sim é bem possível. Essa nova era tecnológica que preferem se masturbar em frente a uma câmera para um desconhecido de qualquer lugar ou idioma não foi feita para mim. Algumas vezes acho até engraçado. Depois de dois segundos, acho sei lá, não acho nada, não vale apena, cada ser que faça  o que estiver afim, isso nem deveria ser escrito aqui. Certos lances eu ainda não compreendo. Por que um cara me pergunta se sou solteira se em seguida diz ter uma amizade colorida ou estar ficando com alguém. Não digo que os homens não prestam, digo que realmente não nasci para esta era. Muito imediatismo, muito inconformismo. Eu gosto de dançar a noite inteira, nem preciso estar acompanhada, Big Apple faz bem seu papel, sakê também, não sei escreve assim. Percebi o que realmente gosto em seres humanos. Gosto daqueles que ainda pensam, que me fazem pensar, aqueles que usam palavras que desconheço em seus breves discursos. Gosto de elogios, sim eu gosto de certos tipos de elogios. Meu cabelo está quase laranja, amanhã uma nova tatuagem porque o Corinthians agora é campeão mundial. Chorei, gritei e sorri ao mesmo tempo, saudade de mamis, sempre assistindo os jogos comigo. Mas meu irmão estava ao meu lado hoje e Laika também, cachorros são realmente formidáveis. Então, também gosto de pessoas que escrevem, poesias, contos, pensamentos, nada de frases feitas. Isso realmente me apetece. Talvez seja um sentimento breve, estou muito assim esses dias. Hoje meu rosto ficou vermelho, isso raramente acontece. Talvez seja um sentimento breve.

domingo, 2 de dezembro de 2012


Somos cobaias mal pagas


Interessante o que sai de bocas mal alcoolizadas. Interessante como analisam os relacionamentos de seus amigos. “Ele está agindo errado” “Não se deve tratar uma namorada assim” “Eu vou ensiná-lo como é forma correta de agir”. Sempre me pergunto se existe certo e errado. Cada um vive em sua própria realidade e verdade absoluta. O que é verdade para mim pode não ser para outrem.  Eu fui usada como cobaia, sem saber, pagamento não recebi. Fui usada mais uma vez para terem certeza do que sentem por outra pessoa. Interessante isso, né?Não, não é nada interessante. Isso é ridículo, desprezível e hipócrita. Façam o que eu falo mas não façam o que eu faço. Não estou falando de sentimento, nessa situação não existe nem nunca existiu sentimento. Apenas mais um lance que me faz mais descrente ainda na humanidade. Me questionaram sobre o amor. Me chamaram de feminista ao mesmo tempo que diziam que a mulher que não casa não é feliz. Tiveram pena de mim por eu não ter me sentindo amada. Você nem digno de dó é, meu bem. Para mim você é simplesmente mais um aborto mal feito. Mais um ser desprezível ocupando espaço neste mundo vasto mundo. O amor? O amor não existe, assim como não existe o respeito ou  pessoas de bom caráter. Existem apenas seres individualistas, egoístas presos em suas dores, angústias e covardia, usando a boa vontade das outras pessoas para se sentirem melhor e superiores. O mais hilário ou até mesmo irônico é você não enxergar a vadia que ela é. Mas sempre vai ser assim, as que fingem se dão bem. Fingir ser a vítima, a corrompida, queria nem rir. Feliz sou eu que esqueço todos muito fácil, feliz sou que sei ser feliz comigo mesma. Felicidade é saber ser fria, calculista e realista. Continue em sua doce ilusão. No final todos morrem sozinhos sem um pingo de piedade.