domingo, 13 de maio de 2012

O amor embalado em caixas presenteáveis


Já dizia Camões “Amor é fogo que arde sem se ver, É ferida que dói e não se sente”. Sinceramente eu nunca vi uma dor que não se sente. Mas parece que as pessoas realmente se conformaram com esse tipo de lance. Esse amor que se compra em embalagens em forma de coração cheias de chocolates recheados de traição. Ontem quando estive em um bar uma senhorita disse “que sua cabeça estava em outro lugar” porque seu amado namorado tinha sofrido um acidente e ela não conseguia pensar em outra coisa. Após algum tempo do show da banda que tocava pop/rock nacional e internacional parecendo até mesmo um aulão da saudade, a moça que sofria por não estar perto do namorado resolveu se consolar nos braços do empresário. O baterista da banda que paquerava comigo e com todas minhas amigas durante o intervalo do show mostrou-se acompanhado. Como eu não pude me conter ainda mais com efeito de algumas doses de vodka no final do show ainda disse ao batera “poxa você partiu meu coração, porque você trouxe sanduíche para festa”? A resposta dele foi “é mesmo você está certa, boa ideia, da próxima vez venho só” Hoje é o dia de dizermos o quanto amamos nossa mãe. É assim mesmo, nesse sistema capitalista que temos os dias marcados de expressar nossos sentimentos e de comprar presentes para mostrarmos o tamanho do amor que sentimos. Mês que vem será o dia dos namorados, outra data linda e admirável, algumas moças esperam ser pedidas em casamento, outras, jantares a luz de velas e ainda têm aquelas que estão há meses chorando esperando por um telefonema dizendo “volta para mim”? Ontem às 8:56 uma guria chorava porque um cara que não acredita nas palavras dela não quer mais vê-la. Se alguém não acredita em minhas palavras é melhor mesmo nem chegar perto de mim. “How can they look into my eyes And still they don't believe me” Os melhores poemas de amor são aqueles escritos por alguém que nunca amou ou foi amada, estou falando de Florbela Espanca. Eu estou fora desse lance de amor. Ainda bem que descobri a tempo que ele não existe mesmo. O que existe são doces ilusões que começam super doce e depois acabam sempre mais amargas do que possam suportar nosso paladar. Melhor ainda foi descobrir o que me faz feliz, não canso de repetir: cachorro, tatuagem e show de rock. Não deixei de ter sentimentos, simplesmente aprendi a não viver mais em funções deles. A minha razão hoje me possuiu e por mais que eu sinta vontade e saudade, prefiro pensar no preço de minha próxima tatuagem.

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